Pesquisas revelam impactos da urbanização na qualidade da água
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Estudos analisam microplásticos e desenvolvem tecnologias inovadoras para preservar ecossistemas aquáticos

Na semana em que se celebra o Dia Mundial da Água (22/03), pesquisas desenvolvidas na Uno reforçam um alerta: a forma como o território é ocupado impacta diretamente a qualidade dos
recursos hídricos. Estudos na bacia do Lajeado São José mostram que áreas com maior urbanização concentram mais microplásticos no fundo dos rios.
A estudante de Ciências Biológicas, Bárbara Lopes Körner, identificou que, quando cidades, asfaltamento e construções ocupam mais de 25% do entorno, a presença de microplásticos no sedimento é significativamente maior. Isso ocorre porque a impermeabilização do solo impede a infiltração da água da chuva, que passa a escoar pela superfície, carregando resíduos até os rios.
Esse processo também explica por que águas mais turvas apresentam maiores concentrações de plástico.
“Partículas transparentes se destacam como as mais abundantes e também as maiores, chegando a quase 2 milímetros. Já partículas pretas são comuns em áreas urbanas, enquanto fragmentos azuis e vermelhos aparecem mais em regiões com vegetação preservada”, destaca Bárbara.
O formato do leito do rio também influencia esse acúmulo. Em trechos com seixos, predominam partículas maiores; já áreas com maior correnteza retêm fragmentos menores. Esse material se deposita no fundo e forma um “arquivo” da poluição, representando uma ameaça contínua aos organismos aquáticos e à qualidade da água.

Além dos contaminantes, outra pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais analisa a saúde dos ecossistemas por meio de bioindicadores - organismos capazes de revelar alterações ambientais. Entre eles estão macroinvertebrados, fitoplâncton e fungos aquáticos conhecidos como hifomicetos, que respondem rapidamente a mudanças no ambiente.
“Esses organismos respondem rapidamente às mudanças no ambiente e nos permitem identificar impactos da urbanização, da agricultura e da criação de animais”, explica a doutoranda Raquel de Brito.

Segundo ela, essas alterações afetam diretamente a biodiversidade e funções essenciais dos ecossistemas, como a decomposição da matéria orgânica e a ciclagem de nutrientes, essenciais para manter a fertilidade do ecossistema. Um dos desafios do trabalho é a identificação das espécies, que demanda tempo e conhecimento especializado.
Para avançar nesse cenário, a pesquisa aposta no uso de inteligência artificial e visão computacional.
“A proposta é criar um banco de dados robusto e treinar sistemas que auxiliem na identificação de organismos microscópicos, tornando o processo mais rápido, preciso e padronizado”, detalha Raquel. O modelo começa pelos hifomicetos, com potencial de expansão para outros grupos.

O professor Renan Rezende destaca que a água sustenta a vida, a economia e a saúde das pessoas.
“Na região de Chapecó, apesar da aparente abundância, enfrentamos um cenário de baixa segurança hídrica, o que exige atenção. Nossos estudos buscam entender como as pressões humanas afetam a qualidade da água que chega até a população”, afirma.

Ele ressalta ainda a importância de pesquisas integradas para apoiar a gestão pública.
“Mais do que produzir conhecimento, o nosso papel é conectar ciência e tomada de decisão. Investir em pesquisa na área da água é investir em segurança hídrica, em saúde pública e em desenvolvimento sustentável. A ciência precisa estar no centro desse debate e a Unochapecó trabalha de forma inovadora para permitir que isso ocorra”, conclui.
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Texto: Marina de Oliveira
Fotos: Divulgação
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